Pra quê escavar?

Olá caríssimos escavadores !
Como vão vocês?

Sejam bem-vindos a mais esse artigo.

Por qual motivo alguns de nós têm a necessidade de se auto-conhecer?

Por que não seguir a vida simplesmente sendo um animal que responde a seus instintos?

Por que não buscar os prazeres sem pensar no dia de amanhã, viver todo o tempo atrás de reconhecimento, de controle, de auto-afirmação, de satisfazer o ego?

Por quê?

É fato que nossos instintos são nossa proteção primordial e a maneira que a natureza encontrou de nos fazer perpetuar a nossa espécie. Eles são muito importantes, mas devem ficar guardados no nível mais baixo da pirâmide do “eu consciente”.

Sendo mais preciso em minha pergunta, por que é importante saber o porquê de fazermos o que fazemos?

Porque isso é se auto-conhecer.

Primeiramente, se a gente toma conhecimento da razão pela qual pensamos como pensamos, ganharemos algo que é muito especial:

Consciência plena!

cabecaluminosa

Bom, melhor dizendo, estaremos plenamente conscientes a maior parte de tempo possível.

Ai você vai me dizer: “Ah! Eu? Eu tô sempre consciente ! Tomo minhas próprias decisões meu velho !”

Hummm… ah é? Então pensa comigo…

Sabe aquele momento que você olha uma pessoa que alguém acaba de te apresentar e você pensa: “Não fui com a cara desse sujeito!” ? Ou quando você olha a maneira de viver de alguém, ou a cor do cabelo de alguém e você sente que odeia aquela pessoa?

Ou ainda quando você morre de vontade de fazer algo, mas não faz por medo do que os outros vão falar e pensar?

Quando você deixa de mudar de emprego… quando decide trair alguém… quando diz “sim” para uma pessoa e numa mesma situação diz “não” para outra…

Então, essas são situações típicas onde é muito bom estar “consciente” e se conhece em profundidade.

A maioria das pessoas na verdade não sabe o porquê delas pensarem e sentirem o que pensam e sentem.

E o pior! A pessoa pode pensar que se conhece, mas no fundo, apenas reproduz comportamentos. E é natural! Afinal, elas aprenderam a ser assim, elas foram “programadas” com o passar dos anos, seja pelos seus pais, pela mídia, pela escola, pelos cônjuges, pela vida difícil, pela vida fácil…

Nos fim das contas elas não sabem mais quem elas são ! Elas sabem apenas que pensam, mas não sabem explicar porque pensam da maneira que pensam, porque odeiam da maneira que odeiam ou porque amam da maneira que amam.

É aquela coisa… fulano odeia X, que odeia Y, que odeia Z… mas por que se odeiam?

Eu chutaria que instintivamente fulano se sente ameaçado por X, mesmo que fulano não perceba e pense que o motivo é outro. De alguma maneira X mexe com ele.

Aquela cor verde do cabelo de X lembra o fulano que ele queria também ter coragem de fazer o que ele quisesse com seu cabelo, mas que foi reprimido e nunca fez ou que acha aquilo um ultraje à ordem das coisas.

Aquele X homossexual lembra o fulano que um dos seus filhos pode ver algo e por sua vez se tornar homossexual também.

Aquela mulher X que vive de maneira independente lembra o fulano que ele não tem poder sobre ela e isso o faz sentir menos “importante”.

Aquele homem X que decide ter orgulho de ter nascido homem ameaça a fulana X que o vê como um possível opressor.

Aquele filho X que decide não terminar a faculdade deixa o fulano pai muito preocupado, pois para o pai ter um diploma é garantia de bem-estar financeiro e na visão dele, na vida isso é o que importa.

Mas o que todos esses fulanos diferentes não percebem é que, em grande parte, todas essas reações não vêm deles, não vêm do que eles são, mais sim do que eles aprenderam a ser durante toda a vida.

A esse ponto do texto, pode ser que você já tenha refletido um pouco… que perceba que muito do que você faz não é você que decide e sim seus comportamentos automáticos e seus impulsos.

cego

Mas então, o que podemos fazer para voltar a sermos quem realmente somos?

Uma boa idéia seria a de toda vez que pensarmos algo de alguém, que reagirmos instintivamente ou que tomarmos decisões, de parar e pensar:

Por que fiz o que fiz?
Por que pensei o que pensei?
Por que senti o que senti?
Por que agi como agi?

Por que raios a religião dos outros ou a falta dela me incomoda? O que isso muda em minha vida?

Estaria eu com medo de que desmentissem minha crença? Estaria eu com medo de crer em algo?

Questionem-se ! Pois muitas vezes não conhecemos nada sobre aquilo que não gostamos e em contrapartida, muitas vezes conhecemos muito pouco as razões pelas quais gostamos daquilo que gostamos !

Claro que em muitas ocasiões o que sentimos é real e bem legítimo ! Quando, por exemplo, temos medo que o extremismo religioso se espalhe e que coisas ruins aconteçam.

Mas na maioria das vezes nossos julgamentos e preconceitos são bem gratuitos e vêm da ignorância que temos em relação ao objeto-alvo. Assumamos !

Aliás, assumir é um grande passo em direção ao auto-conhecimento e rumo às decisões conscientes. É o fato de assumir que nos leva a refletir sobre nossos atos e pensamentos.

É algo extremamente salutar que deveria ser praticado com regularidade, pois não existe imperfeição e comportamento que possam ser corrigidos sem que a gente os encontre primeiro. E pra encontrar algo, precisamos procurar

procurando

Algo que não é nada fácil (bote nada fácil nisso vezes 100!) é escolher o que queremos ser. É ai que a brincadeira começa meu amigo e minha amiga, pois, ao escolhermos o que queremos ser, estamos dizendo ao nosso corpo, mente e à sociedade que iremos contra tudo aquilo que é automático e “da moda” em detrimento de tudo aquilo que é realmente  nosso, em nome daquilo que realmente decidimos ser.

É como olhar o mais belo doce da vitrine e dizer “não” a ele, pois VOCÊ decidiu não comê-lo. Mas tendo dito “não”, ainda assim “pensa” que precisa dele.
A mente vai pedi-lo. O corpo vai desejá-lo, a sociedade vai gritar aos seus ouvidos “seja feliz e satisfaça seus prazeres”, mas você, você vai dizer não.

É também olhar o mais belo doce da vitrine e dizer “sim” para ele, pois VOCÊ decidiu comê-lo e você sabe exatamente o motivo pelo qual decidiu fazer isso. Você refletiu e analisou todos os motivos pelos quais queria aquilo e, no final, achou certo agir assim. Agiu não porque é assim que todos agiriam, mas sim porque VOCÊ decidiu agir assim.

É evidente que esse foi apenas um exemplo. Mas todos sabemos que esse doce poderia ser: escolher odiar alguém, trair alguém, abandonar algo, escolher algo, amar alguém, julgar alguém, abandonar alguém, desistir de algo, e por ai vai… a lista é longa.
Pra terminar, imagine essa situação:

Você acabou de festejar seus 33 anos de vida faz alguns dias. Você volta de seu trabalho e assim que sua casa aponta no horizonte, você percebe algo diferente. Ao se aproximar de dela, você nota uma enorme caixa bloqueando a entrada. Nada está escrito nessa caixa, além da palavra “CAUSAS”.

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Você empurra essa caixa pra dentro. Vai até a cozinha, pega uma faca e abre a caixa. Dentro dela você encontra centenas de DVDs ! Sim, muito mais DVDs que os todos os episodios dos Simpsons, Friends, Game of Thrones, Malhação e a Grande Familia juntos.

Você se senta no sofá, pega um copo de refri, estoura umas pipoca e começa a assisti-los.

Quão grande não é sua surpresa quando você descobre que alguém filmou sua vida toda e te enviou essas gravações. Filmaram tudo !

Filmaram aquele pai que te diminuia, aquela mãe que te encorajava, aquela menina/menino que te disse não, aqueles amigos que te pagaram vários sorvetes, o professor que pegava no seu pé, o cara que te deu um soco naquela festa, o homem/mulher que não te tratou com o respeito que merecia, uma demissão injusta, sua formatura, seu primeiro beijo, sua primeira transa, a morte de alguém querido, enfim, tudo !

Será que vendo os acontecimentos de sua vida passarem diante de seus olhos você seria capaz de encontrar no passado as explicações pelos seus comportamentos de hoje?

Se encontrasse, você acreditaria que em grande parte você não é o que você escolheu ser, mas sim fruto do que te ensinaram a ser e de como a vida se desenrolou para você?

Ao constatar isso, como você se sentiria?

Como você se sentiria ao saber que talvez você não esteja realmente no comando de sua vida?

Como se sentiria se soubesse que talvez você seja um “inconsciente consciente”, um pouco como um zumbi que quer comer o cérebro dos outros, mas que no seu caso, você quer comer mais e mais daquelas suas próprias crenças e certezas, bem quentinhas e crocantes?

 

Pense nisso   =)

 

Bom, chegamos ao fim do artigo. Estaria você pelo menos um pouquinho convencido que vale bem a pena cavar bem fundo para encontrar quem realmente somos, ao invés de continuar replicando comportamentos assimilados, os quais muitas vezes não representam realmente quem nós realmente gostariamos de ser?

O que somos hoje é um produto dos anos que passaram. É nosso coração soterrado durante anos com sacos e sacos de terra.

O que queremos ser depende apenas de nós mesmos e de quão forte podemos trabalhar pra cavar, cavar, em busca daquela pedra preciosa que representa quem realmente somos.

entranhas

É verdade que algumas pessoas tem algumas centenas de quilos de terra pra tirar… outras, toneladas. A tarefa não é fácil, mas, apenas o fato de tentar já nos traz um pouco daquela felicidade autêntica.

Sabe… aquela felicidade que a gente não encontra comprando uma roupa nova, ou um carro novo, ou saindo com alguém que fez a capa de uma revista…

Falo daquela felicidade que sentimos quando estamos em paz com o que somos pois sabemos que estamos trabalhando para ser o melhor que podemos ser  =)
Boa escavação !

2 comentários em “Pra quê escavar?”

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